Risco de Base e o Futuro da Inflação

Risco de Base e o Futuro da Inflação

Risco de base é definido como o descolamento (de preços) entre instrumentos financeiros atrelados ao mesmo fator de risco ou conceito, sendo, normalmente, um instrumento real e um instrumento de hedge para travamento de rentabilidade ou eliminação de risco.

Este risco de base é muito comum em operações com commodities (obrigado Arnaldo Correa por me ensinar isso!), mas também pode ser encontrado em outros ativos.

As causas destes descolamentos podem estar relacionadas a muitos fatores, tais como:

  • diferentes praças de compensação;
  • qualidade do produto versus qualidade da referência negociada;
  • periodicidade de precificação;
  • legislação e tributos;
  • oferta e demanda;
  • métricas múltiplas (diferença de composições);
  • etc.

Um detalhes muito importante: risco de base, diferentemente de outros riscos, não pode ser anulado, mas apenas mensurado! Ele é uma imperfeição.

Pensando em termos de inflação, a principal causa de descolamento ou do risco de base esta relacionada ao uso de métricas múltiplas.

Na prática, o fator de risco inflação é desmembrado em múltiplos fatores de risco, mais como são fatores criados sobre o mesmo conceito, há quem use como um fator único.

Há alguns índices conhecidos para retratar a inflação, cada um com sua métrica, mas a questão é se eles refletem a correção de preços ou não. Para isso, vamos analisar o IPCA (do IBGE) e o IGP-M (da FGV).

O gráfico apresentado reflete um fator acumulado de preços para inflação medida pelo IPCA e pelo IGP-M desde 2007.

As linhas azul e laranja representam, respectivamente, o corretor de inflação acumulado desde 2007 até a data atual pelo IGP-M e pelo IPCA.

A linha vermelha, representa a relação entre estes corretores ou IPCA acumulado dividido pelo IGP-M acumulado.

Toda vez que a linha vermelha equivale a 1, significa que o risco de base (histórico) entre IPCA e IGP-M se anula (mesma inflação histórica acumulada) e é possível perceber que pode demorar, mas sempre se anulam. O ciclo médio de zeragem de mínimos do risco de base entre estes índices parece ser algo em torno de 3 anos (verificação meramente visual).

Ou seja, o IPCA, que é mais atrasado do que o IGP-M para perceber mudanças preços, sempre percebe depois e se “iguala” ao IGP-M.

Focando na parte final da linha vermelha, percebemos um risco de base inédito em tamanho. Isto quer dizer que o IGP-M esta antecipando, e muito, o IPCA.

Antecipar o IPCA não significa necessariamente que o IPCA irá subir, pois o corretor de IGP-M pode ser negativo sem nenhum problema. Entretanto, dado o cenário atual, é mais provável IPCA subir mais do que o IGP-M cair para convergir para um risco de base de inflação igual a 0.

Ou seja, vem IPCA por aí!

Informação: as análises são realizadas a partir de dados e ferramentas disponíveis no Sistema de Risco de Mercado da Élin Duxus.

Função Duxus de RBAN IRRBB – 1° Revisão

Em discussão anterior, http://blog.duxus.com.br/2019/11/28/funcao-duxus-de-rban%ef%bb%bf-irrbb/, foi apresentada a sugestão da função Duxus para RBAN.

Amadurecidos alguns pontos, surgiu a necessidade de revisão.

Sendo assim, seguem a sugestão revisada da função Duxus para RBAN:

As diferenças estão destacadas em relação à fórmula original, sendo:

  • DurationMoedaDEVE: prazo médio com vencimentos em anos da carteira (moeda, ativo ou passivo) responsável pela determinação do ΔEVE (maior perda); e
  • f(P&G): função dependente do valor de Perdas e Ganhos embutidos, dada por:

onde:

  • Perdas: valor da P&G quando valor MTM é inferior ao acruado;
  • Ganhos: valor da P&G quando valor MTM é superior ao acruado;
  • TaxaMédia: taxa média da carteira relevante acruada; e
  • RAROCMédio: retorno ajustado ao risco da carteira relevante.

No contexto acima, define-se por carteira relevante aquela que seja majoritária, sendo normalmente esperado tratar-se da carteira ativa. No caso de múltiplas taxas e fatores, os valores médios poderiam ser determinados por média ponderada.

A função de P&G (Perdas e Ganhos), cujo comportamento mais esperado seja de ganhos, visa modificar o impacto do ΔEVE face a existências de um “buffer” positivo (de ganho) ou negativo (de perda).

Em ambos os casos, os valores podem ocultar spreads de risco de crédito conhecidos, faz-se necessário relativar o impacto com base na proporção dada pelo retorno livre de risco sobre as taxas comerciais praticadas na carteira. Os valores com máximo e mínimo representam os controladores limítrofes de RAROC.

Uma alternativa ao uso do RAROC, que exige mais detalhes sobre uma carteira, poder-se-ia trabalhar com desconto dos valores percentuais provisionados (1 – %provisionado) como representação desta relativização de riscos de crédito conhecidos.

Novamente, a fórmula proposta pode não ser aplicável a todas as carteiras, em função de peculiaridades de composição, mas com a revisão de inclusão de P&G, aumentou-se o espectro de instituições candidatas ao seu uso.

Muito importante relembrar que o ΔEVE e ΔNII ainda não devem ser perseguidos. São eles que nos perseguem!

Atenção: conforme resolução #48 do BACEN (https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/exibenormativo?tipo=Resolu%C3%A7%C3%A3o%20BCB&numero=48) esta fórmula não deve ser aplicada ao segmento S4, que deve utilizar ΔNII de forma “rígida”.

Live – IRRBB

Live - IRRBB

Apresentação didática sobre sensibilidade de ∆EVE e ∆NII em função da carteira de ativos e passivos da instituição.

As inscrições devem ser solicitadas por email. Participe!

Controle de Risco – Junho 2020

Controle de risco por VaR diário extrapolado mostra perda máxima, com 95% de confiança, para o mês de junho.

O mês de maio, assim como abril, acabou positivo, com melhor desempenho nos últimos dias de maio. A volatilidade do mercado já começa a dar sinais mais evidentes de convergência para padrões normais de risco.

O estresse acabou. O risco sempre existirá.