Bancos, Conglomerados e Holdings

jun 19, 2015 Discussão, Notificação

Minecraft Bancário

Bancos (B) são instituições financeiras, que formam Conglomerados Financeiros (CF) quando participam de outras instituições também financeiras, que formam Conglomerados Econômicos (CE) quando participam de outras atividades econômicas e que formam Conglomerados Prudenciais (CP) quando participam de qualquer outra coisa.

B -> CF -> CE -> CP (as combinações não são obrigatórias)

A intenção por trás de toda esta nomenclatura é dar visibilidade do real estado das instituições, através da inclusão de cada vez mais detalhes na sua mensuração, ou melhor, nos seus demonstrativos financeiros.

Os CE foram abandonados já em 2013 e não são mais utilizados. Os CF permanecem válidos e incluem apenas a parte financeira dos grupos. Os CP, ou apenas Prudenciais, são semelhantes às holdings e, desde 2014, são a nova forma de se representar todos os desdobramentos societários dos bancos.

Resumo: atualmente, uma instituição pode ter até 3 balanços bem diferentes: B, CF e Prudencial.

Qual dos demonstrativos deve ser analisado?

A utilização do Prudencial parece muito razoável para se determinar a força de um grupo. Novamente, ele é semelhante à holding. Importante apenas ressaltar que um Prudencial pode, diferentemente da holding, ter sob seu balanço participações onde não atue diretamente (via acionistas p.e. ou mesmo por imposição do legislador).

Apesar de razoável, a utilização do Prudencial nas análises deve ter seus cuidados, pois no lado da captação tudo continua igual, uma vez que a instituição líder (ou as mais relevantes do grupo) é que continua a ser – normalmente – a emissora e responsável pelos pagamentos dos seus empréstimos. É claro que a força do grupo interfere neste pagamento mas é muito mais uma questão de imagem do grupo.

Por exemplo, se um determinado grupo altera sua estratégia comercial e começa a migrar operações do banco (esvaziar o banco) para outra parte do Prudencial, o grupo continua igual mas o banco nem tanto. A força do grupo para honrar as operações do banco será tão forte quanto o contrato que segura este banco dentro do grupo. Se for vendido, a operação vai junto mas a força agora passará a ser a do Prudencial comprador.

Em tempos de Basileia III com maior rigor nas regras de alocação de capital, a migração de operações é um dos efeitos colaterais. Esta migração, para folgar (ou não) espaço na alocação de capital e permitir a elaboração de novas operações, vem ocorrendo de diversas formas e mudando um pouco o perfil dos bancos. Na maioria dos casos, aumentando o risco para o investidor da instituição.

Para ter uma leitura dos riscos envolvidos em operações de investimentos em bancos deve-se, portanto, analisar sim o Prudencial da instituição, mas deve-se analisar também a instituição emissora de forma isolada a fim de entender se alguma migração ou mesmo esvaziamento do banco está sendo realizado.

Operações de crédito em bancos comerciais são muito mais estáveis do que estratégias corporativas que podem ser facilmente desfeitas uma vez que são apenas contratos.

O Sistema TRISK, integrante da Plataforma Integrada de Risco Duxus (http://www.duxus.com.br) possui informações para análise e ranqueamento de instituições financeiras individuais e conglomerados.

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